26.2.12

O além-ser

É curioso como não nos damos conta do que somos além daquilo que achamos que somos. A primeira vez que topei com esse conceito foi numa das muitas vezes que matei aula de Direito para ir à Biblioteca Zila Mamede, lá na UFRN. Folheando um livro de psicologia (qualquer coisa me parecia melhor que Direito) eu dei com as imagens de três rostos com as seguintes legendas, respectivamente: imagem que a pessoa tem de si mesma, imagem que os outros tem da pessoa, imagem real da pessoa. E as três imagens eram absurdamente diferentes entre si.

Mais curioso ainda é dar-me conta que sou um ser diferente para cada pessoa que convive comigo, me conhece ou simplesmente me vê por aí. De repente fui e sou milhares de pessoas diferentes e nenhuma delas corresponde ao que de fato eu sou ou acho que sou.

Num relacionamento isso acontece com frequência: você pode conviver anos e anos com alguém que é apenas a imagem que você criou. A imagem que você precisa ou idealiza daquele alguém, aquilo que se encaixa na imagem que você faz de você. E os problemas começam a emergir quando essa confusão de imagens principia a mostrar suas disparidades. Porque ninguém consegue ser o tempo todo aquilo que o outro acha ou quer que se seja.

Eu poderia colocar essa ideia em um conto. Ficaria mais claro, interessante, menos dramático. Mas ainda estou remoendo a ideia em si. A ideia de que uma única pessoa pode representar todo o perfume para uma outra vida, e nem se dar conta da imensidão de beleza e prazer que transmite com sua existência. O que é a palavra "flor" sem um significado? Apenas um vegetal cumprindo sua singela missão de existir. Mas uma flor pode ser uma história, um reino ou um rio. E a palavra "pena"? E a palavra "dói"? E a palavra "letra"? E a palavra "amor"? Uma pessoa pode ser a poética que há em todas palavras conhecidas e imaginadas. Pode ser a cor na vida de um outro alguém, enquanto apenas respira, pensa num computador quebrado ou dá aulas nas terças de manhã.

11.2.12

Constatações

É muito mais agradável a companhia de uma pessoa má e inteligente que de um imbecil bonzinho.
Os bons e inteligentes são muito, muito raros.

10.2.12

2012

O ano em que resolvi ganhar dinheiro.
Aí o mundo acabou.